domingo, 28 de julho de 2013

Capítulo 1: Apenas uma pessoa de poucas palavras

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Disclaimer: “Other World” é uma web-série independente, cuja a autoria pertence à Lilian Kate Mazaki, publicado originalmente no blog http://otherworld-serie.blogspot.com.br

Other World – Capítulo 1
Apenas uma pessoa de poucas palavras
por Lilian Kate Mazaki – julho 2013



Juliana nunca foi uma menina de muitas palavras e sorrisos. Mesmo em casa, ou em encontros familiares, ela sempre preferira a quietude de livros ou histórias em quadrinhos do que a companhia e barulho de outras pessoas. Sua avó materna, Judity, sempre reclamava a altos pulmões do estranho comportamento daquela criança. Insinuava que seus pais haviam passado “sangue de irresponsável” para a menina e que em breve ela se tornaria uma fora da lei. Alguns tios apenas sorriam e dizem ser “o jeitinho dela”, mas na verdade nenhum deles se importava o bastante para refletir sobre o assunto.

Na verdade, ninguém se importava o bastante, era a impressão que tinha a garota de doze anos.

Na escola a situação era parecida. Juliana sentava na primeira cadeira à esquerda e passava todas as aulas apenas copiando, ou então rabiscando suas próprias coisas no papel. Durante o intervalo apenas comia seu lanche e caminhava por alguma parte mais parada do pátio. Não que ela fosse agressiva ou algo do tipo, mas seus colegas de aula tinham um temor enorme dela, por esse comportamento.

Enquanto Juliana só se perguntava o motivo de ser tão difícil fazer amigos.

Sua rotina era sempre igual, acordar, ir às aulas, ir à biblioteca municipal, voltar para casa e jantar, usar um pouco o computador antes de ir para o quarto, onde lia antes de adormecer. Seus pais tinham orgulho de uma filha que apreciava tanto o conhecimento, mas raramente conversavam com ela durante as refeições, mesmo as raras em que os três se encontravam à mesa.

Ambos os genitores de Juliana trabalhavam em um órgão paramilitar chamado Organização Mundial de Exploração do Outro Mundo. A função deste grupo era de colonizar o que, Juliana entendera, ser uma terra muito distante, descoberta a mais de cinquenta anos, onde haviam muitos mistérios e segredos. Pai e mãe eram engenheiros, mas seus cartões de identificação exibiam a alcunha de “neo-combatentes”, mas a menina não sabia contra o que lutavam, já que sempre se ouvia falar que as Terras Novas eram um lugar inabitado e quieto. De qualquer modo Juliana não conseguia imaginar que seu pai, um homem magro e sem músculos tão proeminentes, poderia mesmo lutar e se questionava se não havia alguma mentira ali.

De todo modo essas questões não eram tanto do interesse da garota. O que ela buscava incessantemente na literatura era apenas uma forma de fazer com que seus pais lembrassem mais de que ela estava ali, esperando por eles todos os dias.





Aconteceu em uma tarde habitualmente quente, como se esperaria nos meses próximos ao verão. O sol ainda estava se encaminhando ao horizonte, apesar do avanço das horas após às dezoito. Juliana caminhava ansiosa para o conjunto de prédios onde residia, pois sua mãe lhe dissera aquela manhã que provavelmente ela e seu pai estaria em casa por volta daquele horário. Não havia tempo a perder para a menina, que se sentia eufórica somente com a possibilidade de ter algum momento para curtir sua família, em meio à rotina que já achava tão maçante, mesmo que fosse tão jovem.

Correu pelo estacionamento que já estava bastante preenchido e subiu pelas escadas laterais, quase esquecidas, até o quinto andar, que era onde morava. Ao abrir a porta da frente, com o habitual pouco escândalo, viu mais bolsas sobre a mesinha do que o comum para o horário. Seu coração saltou de alegria. Estavam em casa, avançou um pouco mais rápido e distraída do que faria sempre.

Foi este gesto espontâneo que lhe tirou a chance de ver o que seus olhos iriam desejar desesperados pelos próximos onze anos de sua vida.

Um golpe atingiu a cabeça de Juliana assim que ela atravessou a porta e um grito que não foi o seu se escutou alto. A menina não viu quem lhe atingiu, apenas deu-se por conta quando estava com o rosto colado no chão, depois de atingir a parede no caminho. Dores insuportáveis tomaram conta dos dois lados do crânio, mas ainda assim Juliana foi capaz de distinguir a voz desesperada de sua mãe:

Seu monstro! Não faça isso com a nossa filha!

A voz grave, porém abafada, que jamais Juliana esqueceu surgiu neste momento, em um tom de desdém e audácia:

Sinta-se aliviada por saber que ela não terá o mesmo destino de que você, sua traidora.

N-Não! Não faça nada com a minha filha aqui!

Não se preocupe, ela jamais poderá lembrar do que não estiver acordada para escutar.

Juliana sentia o medo e dor tomando conta de seus sentidos, fazendo-a manter-se como que paralisada no mesmo lugar. Tentou mover a cabeça e apurar o olhar desfocado e viu algo que fez seu peito ser tomado de ainda mais horror: um rastro de sangue, no pedaço de parede que seus olhos conseguiam alcançar. Inconfundível sobre a tinta amarela, o vermelho do sangue tirado à força pela violência. Não soube porquê, mas aquilo a fez somente temer por não escutar a voz de seu pai.

Porém não houve tempo para mais nada. Com uma dor maior, Juliana perdeu a consciência, sendo poupada de cenas que nasceriam em breve no seu subconsciente para jamais abandonar. Pesadelos realistas que não saberia dizer serem mais ou menos brutais do que o que de fato aconteceu no apartamento de quinto andar daquele conjunto residencial de bom nome.



[Continua]

7 comentários:

  1. Saudações


    Demasiado interessante...
    Mas o enredo está em aberto, ainda. E isto é muito bom, pois dá margens sobre "o que" das ações da Juliana.

    No aguardo do próximo capítulo.


    Até mais!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Para ser sincero, seco e direto sobre este capítulo: foi estranho ler. Não houve ritmo, possui demasiadas repetições relacionadas ao termo "que" em alguns momentos e me parece que há a intenção de dar um "ar" diferente a leitura, mas que acaba se perdendo, exagerando.

    Por que um comentário tão duro, mesmo sabendo que é uma história inicial e que ainda haverá muito a se desenvolver? A resposta é simples: Quero recomendar 'Other World' no meu blog e sempre prezo pelo cuidado dado ao texto, principalmente depois de ter que editar algumas histórias, quebrando a cabeça (não consigo mais evitar o hábito de querer corrigir textos, apesar de ser um mero amador).

    Está dado o recado! Espero conseguir ler mais por aí e conseguir fazer todas as recomendações que eu pretendo fazer, afinal, precisamos colocar as webséries no mapa!

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  5. Lillian, que texto maneiro...gostei do primeiro cap, em mim desencadeou o interesse em conhecer esse novo mundo de Other World...avançando prara o próximo cap!

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